Clockwork Orange

 

 

Realização : Stanley Kubrick

 

Argumento : Stanley Kubrick (baseado no romance de Anthony Burgess "Clockwork Orange")

 

Actores : Malcolm McDowell (Alex DeLarge), Patrick Magee (Mr. Alexander), Adrienne Corri (Mrs. Alexander), Michael Bates (Chief Guard), Warren Clarke (Dim), ...

 

Pontuação :

 

 Crítica :

 

O realizador Stanley Kubrick já era um “conhecido” meu. De facto já assisti a alguns filmes deste realizador e posso já considerar-me seu fã. Filmes como “Full Metal Jacket” (1987) ou “The Shinning” (1980) são películas que considero marcantes para a sociedade e que estabelecem novos padrões de qualidade cinematográficos.

 

O filme “Clockwork Orange” é mais um exemplo da soberba qualidade deste realizador. Adaptado da obra do escritor Anthony Burgess ,com o mesmo nome, este filme conta a história de um jovem chamado Alex DeLarge (Malcolm McDowell) fã de Beethoven, mas que ao mesmo tempo é o líder de um grupo de rufias/criminosos [é difícil rotular o seu comportamento, que é uma mistura entre uma atitude típica de rufia, (aterrorizando terceiros só por divertimento) e uma atitude criminosa, porque o que fazem vai muito mais além que as técnicas de terrorismo utilizadas por rufias normais] que são adeptos acérrimos da ultra-violência e violações…  A acção desenvolve-se num ambiente futurista (futurista para a altura em que este filme foi realizado), no Reino Unido.  

 

Assim Alex passa as suas noites “divertindo-se” à sua maneira com os seus amigos. Numa das suas saídas nocturnas e depois de uma noite atarefada, estes jovens chegam a casa de um escritor. Rapidamente e numa euforia tal, tomam a decisão de se divertirem aí. Assim, e depois de ganharem acesso ao interior da casa, Alex e os seus amigos, agridem o escritor enquanto violam a sua esposa mesmo à frente dos seus olhos. Nesta ocasião, Alex, enquanto viola a pobre mulher vai cantando “Singing in the Rain” numa tal explosão de alegria e divertimento (para Alex, claro) que incrivelmente consegue contagiar um pouco o público. Após este acontecimento, lida com uma revolta e tentativa de usurpação do estatuto de chefe que possuía. Neste episodio destaca-se a diferença entre a mentalidade de Alex e os seus amigos. Enquanto Alex encara a criminalidade como sendo algo que o diverte e que o realiza psicologicamente, os restantes encaram-na como sendo uma possível fonte lucrativa. Alex consegue lidar com a revolta e manter o seu estatuto de chefe, mas mais tarde aquando de mais uma incursão nocturna, na casa de mais uma cidadã inocente que acaba morta, os amigos de Alex vingam-se e o resultado disso é a sua captura.

Na prisão, Alex começa a estudar a bíblia para cair nas boas graças do capelão, com esperanças de reduzir a sua sentença. Mas é aí que surge a notícia sobre um tratamento experimental, capaz de “corrigir” as tendências criminosas de qualquer preso. Esse tratamento chama-se “Tratamento de Ludovico” e foi introduzido de forma a prevenir quaisquer actos de violência na sociedade inglesa. Alex não se encontra propriamente interessado em corrigir as suas tendências sociopatas, mas sim nos 15 dias que irá durar o tratamento e depois dos quais será um homem livre. Alex consegue entrar no tratamento e depois dos quinze dias é incapaz de qualquer acto de violência seja em defesa própria ou não. Além disso não consegue tocar em mulheres nuas nem aguenta ouvir a 9ª sinfonia de Beethoven (a sua preferida). Depois disto Alex vai ”provar um pouco do seu próprio veneno”.  Alex entra assim numa espiral de decadência, e vai encontrando algumas das suas antigas vítimas que o brutalizam sem que ele possa fazer nada para o impedir.

 

O filme é narrado em certas ocasiões por Alex, em nadsat (uma língua inventada por Burgess, que consiste numa mistura entre inglês, russo e cockney), o que torna o filme ainda mais apelativo, pois além de ser bastante agradável (nadsat torna os diálogos mais fluidos, inovadores e divertidos) é também facilitada a compreensão de algumas cenas, porque o narrador transmite os seus pontos de vista e pensamentos que muitas vezes não coincidem com a leitura de determinada cena por parte de um “público sano”.

 

A temática deste filme prende-se com as restrições ao livre-arbítrio. De facto, apesar de Alex ser um criminoso, um crime maior foi cometido no seu “tratamento”. Com o tratamento de Ludovico Alex perde uma parte significativa do seu livre-arbítrio e o que é pior do que isso? O homem sendo um ser racional, deverá ter opção.

Numa perspectiva política este filme remete para a “lavagem cerebral” que ocorrem em alguns regimes políticos, onde a população é levada a acreditar que algo é mau por métodos sublimes. 

 

Mais um filme extraordinário de Kubrick, realizado de forma estupenda. A qualidade das cenas é incrível sendo utilizado o fastmotion e o slowmotion de forma harmoniosa, conseguindo atingir os fins a que se propuseram. De realçar igualmente a banda sonora que influência grandemente o filme e transmite mais facilmente a sua mensagem. Os cenários/paisagens utilizados neste filme retratam bem a contexto sociocultural futurista que envolve a personagem principal.

O elenco utilizado neste filme é espectacular, mas de destacar o actor principal. Penso que este actor encaixa perfeitamente neste filme. Desde a sua expressão facial, até aos seus movimentos corporais ou mesmo o seu discurso, tudo encaixa às mil maravilhas. Uma performance incrível por parte de Malcolm McDowell.

Resumindo: Um filme de elevada qualidade cinematográfica, controverso, mas que todos deveriam ver. Mais uma obra-prima de Stanley Kubrick.


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